Voepass operou aviões com falhas, aponta relatório do Cenipa
Relatório do Cenipa revela que a Voepass operou aviões com falhas sem correção definitiva. Investigação sobre acidente em 2024 aponta práticas inadequadas.
Conclusões da investigação do Cenipa O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou o relatório final sobre o acidente com o voo 2283 da Voepass, ocorrido em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP). O documento aponta que a voepass operou aviões com falhas técnicas sem a devida correção definitiva, mantendo as aeronaves em condições de operação consideradas degradadas. Segundo a investigação, a companhia utilizava práticas para contornar prazos de manutenção. Defeitos eram registrados na Lista de Equipamentos Mínimos (MEL) e, ao atingirem o limite para reparo, o sistema era reiniciado como se o problema tivesse sido resolvido, mesmo sem manutenção efetiva. Essa estratégia permitia que a voepass operou aviões com problemas crônicos que eram mascarados sistematicamente. Impacto na segurança operacional O relatório destaca que, embora não haja evidências de que essa prática específica tenha ocorrido com os itens da MEL no ATR 72-500 acidentado, o cenário geral de manutenção contribuiu para a tragédia. A aeronave decolou com acúmulo severo de gelo, o que, somado à falha no sistema de degelo e erros da tripulação, resultou na perda de controle e queda. A análise do órgão aponta que a voepass operou aviões com condutas que negligenciavam o caráter crônico das falhas. Além disso, foram identificadas falhas na fiscalização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que já havia detectado não conformidades técnicas e procedimentais antes do acidente. Resultado e histórico recente O acidente, que vitimou 62 pessoas, culminou em uma série de consequências para a empresa. Em 2025, a Anac suspendeu as operações da companhia e, posteriormente, cassou o Certificado de Operador Aéreo (COA) da empresa devido à incapacidade de solucionar as irregularidades apontadas. Em nota, a empresa afirmou que, ao longo de seus 30 anos de operação no Brasil, sempre adotou procedimentos de segurança e capacitação de tripulação. O Cenipa reforça que o objetivo do relatório, divulgado em julho de 2026, é puramente preventivo, visando o aprimoramento da segurança aérea e a emissão de recomendações técnicas para o setor.